A Apple prepara 16 lançamentos para o segundo semestre: o que isso revela sobre a estratégia da empresa
iPhone dobrável, MacBook com tela OLED, novo hub residencial e mais: a Apple monta seu maior calendário de lançamentos dos últimos anos.
A WWDC 2026 já ficou para trás, mas quem acompanha a Apple sabe que o verdadeiro teste do ano ainda está por vir. Depois de dois anos de promessas em torno de uma Siri mais inteligente — anunciada originalmente na WWDC de 2024 e só agora liberada em versão beta —, a empresa parece finalmente pronta para destravar uma leva de produtos que, segundo rumores, estavam represados justamente à espera desse avanço em IA.
O resultado é um calendário incomum até para os padrões da Apple: de acordo com o levantamento mais recente do site MacRumors, são pelo menos 16 novos produtos previstos até o fim de 2026, número que subiu depois que o jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, revelou que a empresa também prepara uma atualização do MacBook Pro de 14 polegadas com chip M6 ainda este ano. Vale reforçar: nada disso é oficial. São rumores consistentes, vindos de fontes que historicamente acertam boa parte do que antecipam sobre a Apple — mas ainda assim, rumores.
iPhones: o ano em que a Apple aposta na dobra
O trio de topo de linha deve trazer o já esperado iPhone 18 Pro e iPhone 18 Pro Max, com chip A20 Pro, Dynamic Island menor, botão Camera Control simplificado, uma nova cor batizada de “Dark Cherry” e abertura variável em pelo menos uma das câmeras traseiras — além do modem C2, que promete navegação 5G via satélite.
O nome que realmente chama atenção, porém, é o iPhone Ultra, o primeiro iPhone dobrável da história da empresa. Segundo relatos anteriores do próprio Gurman, o aparelho pode se tornar “a reformulação mais significativa da história do iPhone” — categoria que ele reserva a marcos como o iPhone original, o iPhone 6 e o iPhone X. O formato seria o clássico “livro”, com tela externa de 5,3 polegadas e uma tela interna de 7,7 polegadas, câmera dupla atrás, uma câmera frontal e Touch ID no lugar do Face ID como método de autenticação. O iOS 27 já estaria sendo desenhado para tirar proveito desse formato, com multitarefa em estilo iPad e aplicativos lado a lado.
É curioso pensar que a Apple, historicamente cautelosa em relação a modismos de hardware, chega a esse segmento anos depois de rivais como a Samsung. Mas a escolha do nome “Ultra” não é acidental: ela sinaliza que esse não é apenas mais um modelo Pro turbinado, e sim o início de uma nova hierarquia de produtos “topo de linha absoluto” que deve se repetir em outras categorias — o Mac, como veremos adiante, é a próxima peça dessa engrenagem.
Watches e iPads: evolução, não revolução
No pulso, a expectativa é de Apple Watch Series 12 e Apple Watch Ultra 4, ambos com chip S11 (ou mais recente) e possíveis mudanças de design, incluindo Touch ID e sensores de saúde adicionais — pontos que, vale dizer, já foram contestados por outros vazamentos. Já os modelos Ultra podem ganhar recursos extras via satélite, como Apple Maps e troca de fotos pelo Messages mesmo sem conexão convencional.
Nos tablets, o iPad de 12ª geração deve adotar chip A18 ou A19 com suporte à Apple Intelligence, enquanto o iPad mini é o que promete o salto mais interessante: tela OLED, novo sistema de alto-falantes por vibração e resistência à água, além de chip A19 Pro ou A20 Pro.
Macs: o prenúncio de uma nova era de design
No universo Mac, a atualização mais imediata deve vir do Mac Studio (chips M5 Max e M5 Ultra), do Mac mini (M5 e M5 Pro) e do iMac (chip M5 e novas cores). Mas a novidade recém-confirmada é a chegada de um MacBook Pro básico de 14 polegadas com chip M6 — uma atualização pontual que, segundo o MacRumors, foi o gatilho para a lista saltar de 15 para 16 produtos nesta atualização de julho.
O verdadeiro salto de geração, no entanto, fica para o que a Apple deve chamar de MacBook Ultra: uma reformulação completa do MacBook Pro, com tela OLED, entrada por toque, Dynamic Island e um design mais fino, equipado com chips M5 Pro e M5 Max. O lançamento é esperado entre o fim de 2026 e o início de 2027, e o macOS 27 já estaria sendo preparado com uma interface pensada para toque — um movimento que colocaria a Apple, enfim, no mesmo terreno que fabricantes Windows já exploram há anos com notebooks híbridos.
Casa conectada: a aposta represada pela Siri
É na categoria de casa inteligente que a espera por uma Siri mais capaz fica mais evidente. A Apple TV deve ganhar chip A17 Pro e o novo chip N1 com Wi-Fi 7, ambos compatíveis com a Siri revisada. O HomePod mini deve seguir caminho parecido, com chip S9 (ou mais novo), som aprimorado, chip Ultra Wideband de segunda geração e possíveis novas cores. Já o HomePod de tamanho completo ganharia sua primeira atualização relevante em anos, também com suporte à nova Siri.
A grande estreia, porém, é o Home Hub: um hub doméstico inédito, com tela quadrada de 6 a 7 polegadas, chip A18 para Apple Intelligence, suporte a FaceTime e a possibilidade de ser apoiado sobre uma mesa ou fixado na parede. É o produto que mais deixa claro por que a Apple represou tantos lançamentos: sem uma Siri à altura, um hub inteligente perderia metade do sentido.
O que esse calendário diz sobre a Apple
Reunidos, esses 16 produtos contam uma história maior do que a soma das suas especificações. Depois de dois anos sob críticas por atrasar a Siri baseada em IA generativa — enquanto concorrentes como Google e Amazon avançavam nesse terreno —, a Apple parece ter decidido destravar de uma vez boa parte do que estava na gaveta: um formato de iPhone inteiramente novo, uma categoria de hub doméstico inédita e o início de uma hierarquia “Ultra” que deve remodelar como a empresa pensa preço e posicionamento nos próximos anos.
Vale lembrar que boa parte dessas informações ainda vive no terreno da especulação, por mais consistentes que sejam as fontes. Mas se metade se confirmar como descrito, o segundo semestre de 2026 pode marcar o momento em que a Apple, enfim, alinhou hardware e inteligência artificial — algo que só o tempo, e a experiência real de uso, vai poder confirmar.



